QUEM SOMOS
Algumas perguntas começam antes de encontrarmos as palavras para formulá-las. A FuturiSense nasceu de uma delas:
Como criar mais espaço para diferentes formas de perceber, pensar e sentir?
ORIGEM
Durante muito tempo, eu não sabia que aquilo que percebia tinha um nome.
Sabia apenas que alguns ambientes me atravessavam de maneira diferente. Que certas relações exigiam uma atenção difícil de explicar. Que havia detalhes que não conseguia deixar de perceber e que, depois de períodos intensos, eu precisava de silêncio.
Minha experiência com o mundo sempre pareceu pedir um pouco mais de tempo, profundidade e espaço.
Mas compreender uma experiência começa, muitas vezes, quando encontramos uma linguagem para aquilo que antes apenas sentíamos.
Foi assim que, depois de muitos anos de busca, encontrei os estudos sobre a Alta Sensibilidade.
Não foi o começo dessa história.
Foi o momento em que uma parte dela finalmente encontrou um nome.
HOMENS ALTAMENTE SENSÍVEIS
Em 2020, uma nova parte dessa investigação começou a tomar forma.
Criei um espaço para que homens pudessem compartilhar suas histórias, experiências e desafios relacionados à Alta Sensibilidade.
E, ao ouvir essas histórias, algo foi ficando cada vez mais claro.
Para muitos homens, viver a sensibilidade parecia ser ainda mais desafiador.
Não porque a sensibilidade fosse diferente, mas porque, desde cedo, a cultura nos apresenta uma ideia bastante estreita sobre o que significa ser homem.
Esperam-se força, controle, resistência.
Sentir profundamente nem sempre encontra espaço.
Muitos homens haviam passado anos acreditando que havia algo errado com eles.
Ser sensível não é o oposto de ser homem.
Criar esse espaço foi uma forma de romper esse isolamento.
Ao compartilhar suas histórias, eles começaram a descobrir que não estavam sozinhos.
Uma investigação que ganhou voz
Foi desse espaço, dessas histórias e desses encontros que nasceu o livro Homens Altamente Sensíveis — depoimentos e histórias de vidas de homens PAS.
A decisão de escrever o livro nasceu de um desejo simples: que mais pessoas pudessem descobrir a Alta Sensibilidade mais cedo e encontrar, nas histórias de outros homens, uma possibilidade de reconhecimento.
Talvez alguém pudesse ler uma dessas histórias e pensar:
“Eu também sou assim.”
E, a partir desse reconhecimento, perceber:
“Eu não estou sozinho.”
ORGANIZAÇÕES
Minha trajetória profissional também aconteceu dentro de organizações.
Ao longo dos anos, trabalhei próximo de pessoas, equipes e lideranças, acompanhando diferentes formas de trabalhar, colaborar, liderar e construir relações.
Foi nesse ambiente que comecei a perceber uma outra dimensão da mesma pergunta.
Se cada pessoa percebe, pensa e sente de uma maneira particular, o que acontece quando colocamos todas essas diferenças dentro de uma organização?
Alguns ambientes pareciam ampliar as pessoas.
Havia espaço para perguntar, discordar, experimentar, aprender e contribuir de maneiras diferentes.
Outros pareciam fazer o contrário.
A velocidade, o excesso de estímulos, a pressão por desempenho e determinados modelos de liderança podiam fazer com que as pessoas se afastassem de partes importantes de si mesmas.
Essa percepção me levou a participar e criar diferentes iniciativas voltadas à construção de organizações mais humanas e conscientes.
Em alguns momentos, isso aconteceu por meio de conversas com lideranças e palestras sobre novas formas de pensar o trabalho e a liderança.
Em outros, por meio de pesquisas e projetos sobre novos modelos organizacionais, artigos e reflexões sobre o futuro do trabalho.
Também encontrei um espaço especialmente importante nas rodas de conversa.
Criar lugares dentro das organizações onde fosse possível falar sobre aquilo que nem sempre encontra espaço no cotidiano: saúde mental, inclusão, neurodiversidade, diferenças humanas e outras questões que atravessam a experiência de trabalhar e de estar com outras pessoas.
Organizações mais humanas não são construídas apenas por grandes transformações.
Elas também começam quando criamos espaço para uma conversa que antes não podia acontecer.
Quando alguém pode falar sem medo.
Quando uma diferença deixa de ser vista como um problema.
Quando uma liderança aprende a escutar.
Quando as pessoas percebem que não precisam deixar partes de si mesmas do lado de fora para pertencer.
Minha experiência nas organizações foi, assim, ampliando a mesma investigação que havia começado no campo pessoal.
A pergunta já não era apenas como compreender melhor a sensibilidade.
Começou a ser também:
Como podemos criar ambientes onde diferentes formas de perceber, pensar e sentir não apenas encontrem espaço, mas possam contribuir para aquilo que construímos juntos?
DO PESSOAL AO COLETIVO
Durante muito tempo, essas duas investigações pareciam acontecer em lugares diferentes.
De um lado, a busca por compreender a sensibilidade humana — primeiro a partir da própria experiência, depois através das histórias de outros homens que também procuravam uma linguagem para aquilo que viviam.
Do outro, a experiência dentro das organizações, acompanhando pessoas, lideranças e culturas e buscando novas formas de construir ambientes mais humanos e conscientes.
Com o tempo, comecei a perceber que talvez fossem partes da mesma pergunta.
Essa pergunta atravessa o indivíduo e chega ao coletivo.
Está na maneira como nos relacionamos.
Na forma como lideramos.
Nos ambientes que criamos.
Na cultura que construímos juntos.
Porque aquilo que acontece dentro de uma pessoa também encontra expressão nos espaços que compartilhamos.
Foi percebendo essa conexão que minha trajetória começou a ganhar um novo sentido.
A sensibilidade deixou de ser apenas algo que eu buscava compreender em mim e nas histórias de outras pessoas.
Tornou-se também uma lente para olhar para as relações, para o trabalho, para a liderança e para os ambientes que construímos juntos.
Comecei a perceber que muitas das perguntas que surgiam no campo pessoal também estavam presentes no coletivo.
Como criamos espaços onde diferentes formas de perceber, pensar e sentir possam existir?
Como construímos relações mais conscientes?
Como podemos transformar a maneira como trabalhamos, lideramos e convivemos?
Foi nesse encontro entre a experiência pessoal e a investigação coletiva que a FuturiSense começou a tomar forma.
UM ESPAÇO PARA CONTINUAR INVESTIGANDO
A FuturiSense nasceu desse encontro entre experiência e investigação.
Um espaço para olhar com mais atenção para aquilo que, muitas vezes, passa despercebido.
Para compreender a sensibilidade humana sem transformá-la em problema.
Para ampliar a consciência sobre nós mesmos, sobre os outros e sobre os espaços que construímos juntos.
Para questionar formas de viver, trabalhar e liderar que já não parecem responder às pessoas que somos — nem ao futuro que queremos construir.
Não oferecemos respostas prontas.
Criamos espaços para perguntas.
Espaços de aprendizagem, conversa, reflexão e experiência onde novas possibilidades possam surgir.
Porque compreender é apenas o começo.
Quando ampliamos nosso olhar, podemos escolher de outra maneira.
E quando novas escolhas encontram outras pessoas, novas formas de viver e construir juntos também podem nascer.
Essa pergunta atravessa o indivíduo e chega ao coletivo.
Está na maneira como nos relacionamos.
Na forma como lideramos.
Nos ambientes que criamos.
Na cultura que construímos juntos.
Porque aquilo que acontece dentro de uma pessoa também encontra expressão nos espaços que compartilhamos.
Um caminho para compreender como percebemos, sentimos e nos relacionamos com o mundo — reconhecendo a sensibilidade não como algo a esconder, mas como parte da experiência humana.
Um caminho para ampliar o olhar sobre si, sobre o outro e sobre o mundo — percebendo novas possibilidades de estar, relacionar-se e compreender a experiência humana.
Um caminho para transformar a experiência de viver — encontrando novas formas de estar no mundo, relacionar-se e fazer escolhas mais alinhadas com aquilo que somos.
Um caminho para levar essa consciência para o coletivo — transformando a forma como lideramos, nos relacionamos e construímos culturas onde diferentes formas de perceber, pensar e sentir possam encontrar espaço para florescer.